A história da humanidade nos mostra claramente que ter bens materiais, dinheiro e poder nem sempre são sinônimos de competência, esforços e força de vontade. Se assim fosse, os grandes ditadores caudilhos, impostores e carrascos estariam na frente e ocupando as primeiras posições no ranking de competentes do mundo, pois todos tinham bens materiais em abundância, dinheiro em demasia e poder de sobra. No entanto, protagonizaram as piores páginas da história, e que transformaram a humanidade em seres humilhados e esquecidos.
Na primeira eleição do município de Nazária, o hoje prefeito e então candidato Ubaldo Nogueira usava como justificativa de sua "competência administrativa” o fato de ter em pouco tempo obtido um patrimônio, convenhamos, grandioso. E procurava debochar e desdenhar dos seus adversários usando habitualmente a seguinte frase: “não sou bom de bola, não sou escritor, nem radialista, mas sou um grande administrador que conseguiu crescer e subir na vida. E tudo isso graças ao esforço, competência e força de vontade”.
Retruco e discordo com veemência desta afirmativa do hoje prefeito e então candidato que se diz competente para enriquecer, mas que lhe falta esta mesma competência para administrar o pequeno município de Nazária.
O meu amigo e escritor de belos textos Gildean Tiago, em sua crônica intitulada “As aparências enganam”, coloca o senhor Ubaldo Nogueira como sendo uma sumidade em competência e que no caso de Nazária, as coisas não estão dando certo por ser mal assessorado.
Me alegro bastante e até aprendo lendo os textos escritos pelo jovem Tiago, mas no caso em epígrafe devo dizer que a beleza do texto se contradiz com a realidade praticada pelo beneficiário das palavras. Aprendo todos os dias, e não tem como ser diferente, que quem conduz o corpo é a cabeça; que os órgãos e os membros do corpo humano estão ligados e interligados eletricamente aos neurônios de cada ser, que quando normal os têm na cabeça.
Quem nomeou, manda e comanda os assessores da prefeitura de Nazária é o prefeito, e ai daqueles que o desobedeçam, que terão a cabeça à degola. Daí ser de sua lavra a responsabilidade de ter ou continuar tendo-os à frente das coisas do município.
Esperar mudanças do prefeito de Nazária e julgá-lo bom gestor, só se for na administração de seu imenso patrimônio que intrinsecamente sempre esteve relacionado ao serviço público, visto que as empresas do prefeito em quase sua totalidade trabalham para o poder público.
Quanto a relação esperança e medo citada pelo novel escritor, confesso não ter entendido, pois acho que o medo foi o vetor principal do resultado da eleição, suplantando, inclusive, a possibilidade da existência da esperança. Quero crer que o deboche relacionado ao jogar futebol, escrever e falar, esse sim é fruto da pouca imaginação, infertilidade administrativa pública que o prefeito tem. Praticar futebol é para quem tem espírito coletivo, respeita o espaço dos outros e acredita na capacidade de seu semelhante, a demais requer inteligência, planejamento, estabelecimento de metas e, por fim, conclusão.
Quanto as autoridades elencadas no texto e que se fizeram presentes àquele show pirotécnico, exibição de telões, cometimento de crimes de injúria, calúnia e difamação, aquelas autoridades ali estavam não para avalizar competências, mas para fazer parte de um cenário conveniente àquele momento, basta ver que com excessão do senador João Vicente os demais, se hoje procurados, ali não compareceriam. Quanto ao número de expectadores, confesso ter sido grande, são os mesmos de outras ocasiões, importados de Teresina, com notas de combustível doadas e os da terra trazidos por ônibus pagos com o dinheiro público (existe processo tramitando na justiça), e que é muito natural numa eleição inaugural de uma cidade a presença popular para ouvir propostas, fato que não ocorreu naquele fatídico dia.
Acudir famílias com oferecimento de urnas funerárias quando da morte de um ente querido, doação de carradas de barro pagas com dinheiro público, premiação com plásticos da tapawer em datas festivas, doação de bandas de bois para churrascos, transporte de religiosos, etc. Isto não é e nunca serão atos de competência, e sim tentativas de massificar os mais humildes.
Napoleão Bonaparte, Calígula, Nero, Hitler e os demais ditadores da humanidade nunca jogaram bola, não sei se escreveram algum texto, e até que falavam muito quando na hora de humilhar seus semelhantes. Nem por isso deixaram de ter imenso patrimônio, poder em demasia e arrogância ilimitada. Continuo, portanto, escrevendo, falando, e jogando bola (apesar da idade), mas não me falta a sensibilidade de entender que aqui, nesta terra de Pedro Caridade, tudo vai mal, e não é por culpa de assessores e sim do chefe deles.