quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A religião e a política

O estado do Piauí é o mais católico do Brasil. A capital, Teresina, por conseguinte, é a mais católica, tendo 86,09% de sua população declaradamente seguidora dessa religião. Nossa cidade, Nazária, há menos de um ano fazia parte de Teresina, daí está também entre as cidades mais católicas do Brasil.

É comum as comunidades que compõem o município de Nazária estarem quase que permanentemente festejando e celebrando seus padroeiros. A sede do município reverencia o Sagrado Coração de Jesus todos os anos, no mês de junho. As demais regiões que compõem a Área Pastoral da Cidade celebram seus padroeiros sendo os mais populares: São Francisco de Assis, São Raimundo Nonato, Santa Teresinha, Santa Rita de Cássia, Nossa Senhora do Carmo. Para a população que habita as comunidades os festejos dos seus padroeiros, além do cunho religiosos, serve também para celebrar o encontro entre as famílias, amigos, e entes queridos que passam grande parte do tempo longe uns dos outros.

Na parte social, essas festas populares alcançam dimensões importantes no contexto local, incentivam a cultura, estreitam laços artísticos e promovem a inserção de atividades outras, além, evidentemente, de alavancar a economia local com geração de empregos e rendas que acontecem nos períodos das festividades.

Outro fator de bastante notoriedade e satisfação das comunidades tem sido exatamente as espontaneidade das ações da Igreja, grupos pastorais e das lideranças comunitárias, que respeitando a peculiaridade de cada localidade, apresentam seus potenciais por ocasião das festividades religiosas: quermesses, leilões, bingos, apresentações folclóricas, etc.

Há mais de cinqüenta anos os festejos de padroeiros das comunidades vinham acontecendo com bastante dificuldades materiais, mas com um acendrado amor e dedicação dos munícipes que compõem nossa cidade.

Nesse ano de 2009 um ingrediente novo foi incorporado às festividades, que foi exatamente a participação do poder público (Prefeitura Municipal de Nazária), que como instituição se colocou à disposição da Igreja e das comunidades para ajudar no que fosse possível. Ocorre que o que parecia uma ajuda passou a ser um grave transtorno aos festejos, pois o poder público, no caso a prefeitura, impôs às comunidades exatamente a quebra brusca daquilo que foi e é o grande sustentáculo dos festejos, a liberdade de participação, respeito aos costumes e, em última análise, o reforço aos hábitos católicos da população.

A prefeitura pouco ajudou e muito exigiu e, em alguns casos, contribuiu para o enfraquecimento das festividades em todos os sentidos de suas realizações. O verdadeiro sentido católico foi, por parte da prefeitura, colocado em segundo plano e o que se viu em todos os festejos foi exatamente uma tentativa de massificar a população em crer na utopia. Não obstante o espírito católico, os festejos desse ano teriam sido um fiasco. A política neste caso tentou ser mais forte do que o verdadeiro sentimento cristão.

Que as aberrações oficiais no ano seguinte não aconteçam.

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